quinta-feira, 31 de maio de 2012
QUANDO OS STONES ERAM SUBVERSIVOS
No mítico ano de 1968 o Rock ocupava um papel na cultura que não se restringia a venda de discos ou outros bens da cultura de massa. Havia tudo isto, mas não só: A música jovem traduzia a Recusa dos valores e das normas de uma sociedade invenenada pela guerra, pela exploração e pelo recalque sexual. Os Rolling Stones foram sem dúvida os pioneiros nesta produção musical articulada a uma consciência libertária: Antes de se acomdarem ao sucesso e tudo virar grana, eles desafiavam pela música os limites expressivos da música. Mick Jagger por exemplo era a encarnação do jovem rebelde que não queria ter nada a ver com o chá das 5 h da Inglaterra. De fato os Stones transformaram o Rock em algo socialmente "perigoso" graças ao seu comportamento transgressor dentro e fora dos palcos e dos estúdios.
Um belo registro desta época encontra-se no antológico albúm BEGGAR´S BANQUET, de 1968. Com uma estrutura basicamente acústica este discão contém uma forma experimental ancorada no blues mais selvagem. Satanismo, subversão política e sexo com menores são temas presentes nas canções que fizeram dos Stones verdadeiros inimigos da sociedade conservadora. Agora, o que rolou do fim dos anos setenta pra cá é bobagem...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Da série Íris de Exu: Norato e o Rebanho - Parte 2
O BOI FALÔ: CALA A BOCA!
Chifre
de boi fura o bucho da Lua.
Chifre
de Boi diplomado na escuridão.
Vou
beber sangue de jovens no ciclo básico das repartições,
Fala
boi, ê boi!
O BOI FALÔ: HOJE NÃO É DIA DE
TRABAIÁ, É DIA DE TREPAR.
Trepa
boi na estrada de terra.
Enquanto
Norato sai desbravando o mundo,
O barão
está com uma faca nos dentes e um chicote no rabo.
Isso não
é obra de gente,
É obra
de Cobra Norato.
Segue a
noite de mansinho e eu perdi o trem da morte.
O BOI FALÔ: CORRE NORATO, FOGE!
E ele se
mistura às Ratazanas feitas de ópio,
Norato
partiu pro inferno provinciano dos Cambuís.
Terra de
barão, ventre de colibri.
Coro do fundo do mato: Norato se embrenha no mato,
onde surge o clarão solar demente de uma chicotada. Dentes rasgam a carne fria
de Cobra Norato e ele se parte em pedaços de pano. São as mulheres panteras
comedoras de gente, ó xente! Tundungum, bate o bumbo no peito das mulheres
felinas que devoram gente.
TUNDUM
TUNDUM TUNDUM TUNDUM TUNDUM TUNDUM TUNDUM TUNDUM TUNDUN!
RUUUUUUUUUUUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRRRR
BOI GOZOU:
AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
São
rugidos da alma feita de barro de Caeté. Come o Bispo, o Padre e a Cobra
Demônio.
CHUTA A
CANELA DE CABRAL!
As
mulheres panteras fazem festa antropofágica para Norato no Bosque dos
Jequitibás.
MACAXEIRA
XÊRA XÊRA.
ABAPORU
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!
O bicho
do fundo espreita, pedaço de mato na bagagem. Uma fonte onde vivenciei minha
própria morte. Norato derrete-se na jaula dos Coiotes. Bocejam as matas do
bosque. Faróis de carros queimam a retina de ouro da pantera Mãe. Ela vai me
devorar antes do sol se pôr.
HÁ NO BOSQUE SETE MULHERES DE
VENTRES DESPOVOADOS GUARDADOS POR UM JACARÉ.
Cantiga
de ninar Antropófago:
Nãna na ní la buiá otê, okê!
Nãna, natibu, lamatída, odebê!
Vi cavolice, nananavu orekê!
Mi labatá de má la tibum ti bum,
iê iê.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
SALVE ALFRED JARRY!
O poeta e teatrólogo Alfred Jarry deve ser diariamente celebrado pelos
inconformados das letras e dos palcos. Em meio a sua trajetória ao mesmo tempo
trágica e irônica, ele legou uma obra reveladora de um comportamento
iconoclasta. Seu humor devastador pode ser encarado como uma das armas mais
encantadoras contra a sociedade burguesa de ontém e de hoje. Que outro nome
poderia ter o teatro em que Antonin Artaud e Roger Vitrac faziam suas
experiências cênicas? Leiam tudo, seja a peça UBU REI ou seus poemas
blasfematórios.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O MAIOR CINEASTA BRASILEIRO ENQUANTO UM DOS MAIORES ESCRITORES DO BRASIL
Glauber Rocha faz falta não apenas como cineasta mas também como
escritor(é claro que os reacionários da atualidade, fãs de
publicidade, pensam diferente:mas são inimigos, não possuem nem mesmo
cacife para falar de Glauber...). Após anos fora de catálogo,
finalmente é lançada a reedição de RIVERÃO SUSSUARANA, único romance
de Glauber Rocha publicado em 1978(o livro sai agora pela Editora
UFSC). Trata-se de um trabalho vanguardista cuja a potência
experimental supera de longe tudo aquilo que se faz passar por
literatura de classe média nos últimos anos.
Em Riverão Glauber antropofagiza Guimarães Rosa e James Joyce numa
panela capaz de fundir o estômago e a cabeça do leitor acosumado a uma
receita literária palatável e portanto previsivel. Misturando poesia,
teatro e jornalismo Glauber cria nas suas próprias palavras " um
manifesto literário " que consiste em uma " desnovela de recordel ".
Tanto em cinema quanto em literatura Glauber ainda tem a última
palavra.
sábado, 5 de maio de 2012
Da Série Íris de Exu: Norato e o Rebanho
Um dia,
Hei de
morar nas terras do sem fim.
Na chão
batido de uma selva fria,
Onde as
esporas cravam no peito o açoite da noite.
Sou
Cobra Norato, do alto do monte,
Vislumbrando
um pasto de dólares na porteira do sem fim.
Pastam
sobre as Campinas aves de rapina com currículos,
No
ventre do Barão adormecido.
Acorda,
Geraldo!
Quem se
encaminha pra derrubar teu pasto é Norato, safado!
PORTÃO NÃO TABU.
Vou
visitar a terra das andorinhas decepadas,
Onde o
gado agoniza com couro de marmelada em uma manhã fria.
Deixar a
floresta cifrada para incendiar a roça de cifrão.
Coro do fundo do mato: Cuidado Norato! Nesta terra
abortada o cifrão é lei. Não é tão fácil assassinar o Barão e irromper o
extrato do olhar da Baronesa que sempre diz não! Sapos de vinho tinto espreitam
seus passos neste labirinto de aço. Latas de café e faca no pescoço.
Há um
homem coxo cortado ao meio na praça do convento.
O BAU CAMPINEIRO NÃO ULTRAPASSA A
ARCA DO QUINTAL.
Coro do fundo do Mato: Au! Au in the uorld, nessa
Campinas hí téc do mato. Desce o Rio Amazonas, Norato e desenboca no Rio
Atibaia. Pororoca mágica!
Canção
da noite clara:
A noite chega mansinho,
Estrelas copulam com o infinito.
Brinco de amarrar cintas no
pescoço,
E estrangulo a mamãe vestida de
proibições.
Norato, cansado do leite da onça
pintada,
Enche a cara de cachaça na cidade
do maestro.
A noite chega mansinho,
Na calada dos becos do rio de lágrimas,
Norato pita cigarro no pico das
cabras.
Norato apaga cigarro no olho das
beatas.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
UM ÉPICO ANTROPOFÁGICO NOVINHO EM FOLHA (E DENTES)
O Movimento antropofágico da Terceira Dentição segue firme na sua
guerra poética por independência mental. Em meio a reformulação da
Revista oficial do movimento(em breve ela voltará com força total)
este blog tem sido uma das principais trincheiras dos campineiros de
dente afiado. Publicaremos aqui uma pequena obra prima que pode dar
uma idéia exata da visão poética da Campinas Primitiva Universal:
NORATO E O REBANHO, dos poetas Jangadeiro e Taiaçu. Inspirados no
clássico antropofágico Cobra Norato de Raul Bopp, NORATO E O REBANHO
será publicado em capitulos, paralelamente aos nossos textos
jornalisticos e Manifestos. A Arte violenta da Terceira Dentição veio
perturbar o sono da burguesia campineira... Aguardem!
guerra poética por independência mental. Em meio a reformulação da
Revista oficial do movimento(em breve ela voltará com força total)
este blog tem sido uma das principais trincheiras dos campineiros de
dente afiado. Publicaremos aqui uma pequena obra prima que pode dar
uma idéia exata da visão poética da Campinas Primitiva Universal:
NORATO E O REBANHO, dos poetas Jangadeiro e Taiaçu. Inspirados no
clássico antropofágico Cobra Norato de Raul Bopp, NORATO E O REBANHO
será publicado em capitulos, paralelamente aos nossos textos
jornalisticos e Manifestos. A Arte violenta da Terceira Dentição veio
perturbar o sono da burguesia campineira... Aguardem!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
SÃO PAULO SURREALISTA
Num cenário teatral marcado por uma dramaturgia cerebral e
previsivel, a peça SÃO PAULO SURREALISTA representa um raro campo de
liberdade criativa. Em cartaz na casa noturna Madame em São Paulo,
esta peça traz á tona o pensamento do Surrealismo(mais atual do que
nunca). Com Direção de Marcelo Marcus Fonseca esta montagem é uma
iniciativa do grupo Teatro do Incêndio.
Não se trata do abuso gratuito da expressão surreal(cada vez mais
banalizada e desvinculada do seu sentido libertário) mas de uma
investigação poética da cidade: Este é um dos campos eleitos pelos
surrealistas desde a década de vinte, que encontram na cidade o
contexto para a sondagem do desejo, a busca pelo insólito, as
revelações e coincidências de perder o fôlego, enfim os petrificantes
acontecimentos presentes no Acaso Objetivo(para saber mais que se leia
NADJA de André Breton e O CAMPONÊS DE PARÍS de Louis Aragon).
Na peça a cidade de São Paulo é o palco da Beleza Convulsiva,
deflagrando uma reunião delirante entre nomes como Breton, Artaud,
Mário de Andrade, Pagu e Roberto Piva. Estes autores reunidos
proporcionam um diálogo necessário! O espetáculo conta ainda
previsivel, a peça SÃO PAULO SURREALISTA representa um raro campo de
liberdade criativa. Em cartaz na casa noturna Madame em São Paulo,
esta peça traz á tona o pensamento do Surrealismo(mais atual do que
nunca). Com Direção de Marcelo Marcus Fonseca esta montagem é uma
iniciativa do grupo Teatro do Incêndio.
Não se trata do abuso gratuito da expressão surreal(cada vez mais
banalizada e desvinculada do seu sentido libertário) mas de uma
investigação poética da cidade: Este é um dos campos eleitos pelos
surrealistas desde a década de vinte, que encontram na cidade o
contexto para a sondagem do desejo, a busca pelo insólito, as
revelações e coincidências de perder o fôlego, enfim os petrificantes
acontecimentos presentes no Acaso Objetivo(para saber mais que se leia
NADJA de André Breton e O CAMPONÊS DE PARÍS de Louis Aragon).
Na peça a cidade de São Paulo é o palco da Beleza Convulsiva,
deflagrando uma reunião delirante entre nomes como Breton, Artaud,
Mário de Andrade, Pagu e Roberto Piva. Estes autores reunidos
proporcionam um diálogo necessário! O espetáculo conta ainda
com a consultoria, e uma participação na estréia, do poeta Claudio Willer.
Consideramos que este este diálogo obedece a um encontro eletivo entre
Surrealismo, Modernismo brasileiro e a Beat(há anos defendemos esta fusão
atualíssima e vital para a expressão humana).
Pelo jeito não somos os únicos a achar isso hoje em dia.
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